Carta ao Investidor #21

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Marcello Vieira

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Nesta 21ª Carta ao Investidor, quero trazer uma reflexão sobre como se sentir confortável shorteando no mercado (operando na ponta vendida).

Para a maioria dos investidores, não é muito intuitivo operar na parte vendida.

A gente sabe que o mercado de ações e de imóveis sempre sobem a médio e longo prazo, então, é uma tendência natural pensar em como comprar.

Seja para o longo prazo ou para quem é trader, as pessoas tendem a operar mais na ponta compradora.

E o conceito de short (vendido) todo mundo entende que no mercado futuros você pode entrar vendido, ou mesmo no mercado de ações você pode pegar emprestado, entrar vendido, depois recomprar e fechar a operação.

É possível ganhar na baixa. Mas a maior parte dos investidores não faz isso e não se sente confortável em operar vendido.

Eu sempre achei que me sentia confortável com operações em short (vendido).

Em operações curtas, seja long ou short é só operar o setup e pra mim não faz diferença nenhuma. 

Mas quando é um posicionamento – como tenho feito esse ano durante o bear market, às vezes entro só vendido e em outras operações como long (comprado) & short (vendido) com uma ordem de position trade com o intuito de capturar um movimento maior de algumas semanas.

E para a minha própria surpresa, comecei a notar que eu não venho me sentindo totalmente confortável operando em short (vendido).

Se você me acompanha nas análises do Cenário Macro, sabe que estou bem bearish – bem pessimista com a economia, por todos os problemas econômicos e geopolíticos. E, com isso, na minha forma de ver o mundo hoje, eu diria que existe 90% de chance de vir mais queda no mercado ao longo do segundo semestre.

Bolsa vai cair, cripto vai cair e quiçá vão cair bastante.

A possibilidade de vermos uma alta, principalmente nos próximos meses, é muito pequena.

E tendo isso em vista, com a minha confiança na baixa, seria a coisa mais natural do mundo eu ver os ativos que têm a maior probabilidade de caírem mais, ir no gráfico e procurar um setup para entrar vendido com um controle de risco caso a operação não vá a meu favor.

Em um primeiro momento, isso pode parecer simples, mas, na verdade, eu tenho feito poucas operações só em short e a maior parte delas são em long & short.

Ou seja, eu compro ativos que eu acredito que vão cair menos e sofrer menos na queda e vendo ativos em que vejo  probabilidade de cair mais.

Então, sim, eu continuo shorteando e apostando na queda, mas também com o long&short.

E, naturalmente, em dias como o de hoje (30/06), por exemplo, em que vemos o mercado caindo e, às vezes caindo forte, vem o pensamento: “putz, eu poderia estar mais shorteado, mais só em short.”
Com long&short (comprado e vendido ao mesmo tempo), na queda, dá uma diminuída no lucro.

E refletindo sobre o porquê eu estava fazendo isso, porque eu estava operando mais long & short e tão pouco só em short, percebi que era pela questão psicológica de não me sentir confortável.

E analisando isso, pensei: “bom… acho que eu tenho que adicionar mais operações só short porque, no meu framework, na minha forma de ver o mundo é muito mais provável que o mercado vai cair.”

Mas acaba que na hora que vou abrir uma operação, não me sinto confortável em ficar mais só em short. Já em long & short eu me sinto mais confortável.

Claro que, em long & short em caso de quedas, como eu espero, ele tende a lucrar bem menos, mas é um risco mais conservador.

Porque se o mercado sobe, tem também uma ponta compradora e você pode ganhar na alta também.

Isso porque você está comprado em bons ativos e vendido em ativos ruins ou que estão muito prejudicados pelo atual cenário econômico.

E mesmo em um movimento de alta, a tendência é que a parte comprada suba mais. Então, operar com long & short tem essa vantagem.

Também é bem possível ganhar na alta e não só na baixa.

Enquanto, se você estiver só shorteando e o mercado subir, você perde e tem que estopar a operação em algum momento.

E isso, claro, torna o long & short mais confortável sem dúvida alguma.

Acredito que seja por isso que tenho optado mais por operar em long & short, mas não só pela estratégia e, sim, pelo fato de não me sentir tão confortável em fazer muitas ordens apenas em short.

E essa é uma decisão puramente psicológica.

Então eu te pergunto? E você? Se sente confortável operando em short?

Sim, não? E por quê?

Eu observo que a maior parte das pessoas não se sente confortável.

Muitas vezes ao ponto de entender que o cenário é bearish (pessimista) mas preferem  diminuir a exposição comprada ou ficar totalmente fora do mercado esperando uma alta ao invés de aproveitar a baixa, que eu acredito que é uma grande oportunidade.

Neste momento, o cenário parece bem claro de que os mercados vão cair.

E nem sempre temos clareza no mercado, seja pra cima ou pra baixo.

Na maioria das vezes, o cenário é conturbado e obscuro.

Atualmente, o cenário é ruim do ponto de vista econômico e geopolítico, mas em termos de clareza, tudo indica que o mercado vai pra baixo.

Assim como em 2020-21 com toda a impressão de dinheiro pós-Covid, também era muito provável que o mercado iria pra cima e acabou indo bastante, exatamente pelo estímulo.

Enfim, te convido a refletir se você se sente confortável operando em short.

E se você chegar a conclusão de que não se sente, acredito que vale a pena começar a pensar mais sobre o assunto e, quem sabe começar a abrir algumas posições pequenas, alguns trades em short ou algum long & short e ir devagar, se familiarizando, porque, provavelmente, o bear market ainda vai longe entre suas pernadas de alta e de baixa.

E depois que esse bear market acabar, em algum momento, virá outro, mas você já vai estar mais confortável e com maiores possibilidades de retorno.

Agora, em termos de posicionamento, em position trade, ou se você é day trader ou swing trader, em determinados momentos operar em short vai ser bem mais interessante, uma vez que você se sinta confortável, o resultado pode vir a ser muito bom.

Forte Abraço,

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MARCELLO VIEIRA

• Fundador do Investidor de Sucesso;
• Possui mais de 13.000 alunos;
• Mentor particular de grandes investidores;
• Investidor especialista em novas tecnologias e desenvolvimento de estratégias quantitativas;
• Transformou 32 mil em mais de 1 milhão de dólares em menos de 6 meses de forma pública e transparente;
• Participa de grupos e eventos com vários dos melhores gestores, investidores e traders ao redor do mundo.