Colapso da FTX, recessão global, Brasil ladeira a baixo.

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Marcello Vieira

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Seja muito bem-vindo a mais um cenário macro, onde eu faço um overview de tudo que está acontecendo na economia e no mundo dos investimentos. E como isso está afetando o mercado financeiro, principalmente ações e cripto.

Há algum tempo eu não gravava o cenário macro, mas agora estamos de volta por aqui e também trabalhando em várias novidades que, em breve, vou anunciar para vocês.

Então, vamos lá…

Vou fazer um overview de tudo que está acontecendo no mundo e, mais especificamente no Brasil e em cripto, onde tem acontecido muita coisa.

Em relação ao cenário macro global, não mudou muito.

Se você tem acompanhado as últimas edições, recorda que temos um cenário de inflação persistente, tanto pela questão da Guerra, quanto por todas as mudanças ainda pós pandemia e toda questão geopolítica que envolve as commodities da Rússia que saíram do mercado.

Além da escalada do confronto indireto com a China, que faz empresas como Apple ter que deixar de produzir na China e começar a produzir em outros países, o que é altamente inflacionário.

Toda cadeia de produção ainda não voltou ao normal e isso tem gerado inflação no mundo e feito com que os países tenham que aumentar o juros para desestimular um pouco a economia e segurar a inflação.

Isso acaba provocando uma desaceleração econômica e, provavelmente, uma recessão para a maior parte do mundo no ano que vem.

A Europa está em uma situação mais complicada pela questão da energia e do gás natural. Como a Rússia reduziu muito o fornecimento, o preço da energia disparou. O que é extremamente inflacionário.

Dessa forma, a situação global continua complexa.

Pelo tamanho dos problemas existentes, a economia está bem resiliente. Porém, eu continuo achando que é um período complicado e que devemos continuar tendo turbulências no mercado no ano que vem.

Normalmente, quando os juros sobem, e os juros subiram muito rápido, principalmente nos Estados Unidos, associado ao quantitative tightening, ou seja, um aperto monetário.

Injetaram muito dinheiro no mercado e agora estão tirando o excesso. Quando isso acontece, quebra algum setor na economia e gera um efeito cascata.

Isso já está acontecendo em cripto, mas ainda não está acontecendo na economia global como um todo onde nada quebrou.

E me parece pouco provável que nada vá quebrar com os juros nessa magnitude.

A inflação já começou a cair, mas ela ainda está muito alta.

Não creio que o FED (Banco Central Americano) vá alcançar o objetivo de inflação a 2% com todos os problemas existentes.

Provavelmente, vamos ver uma inflação um pouco maior do que isso.

Uma vez que a inflação chega, é difícil controlar.

O FED atuou de forma muito lenta no aumento dos juros e agora tem que subir muito rápido.

Em resumo: Juros altos e aperto monetário são péssimos para renda variável.

No meio disso, podemos ver ações de alguns setores beneficiados, como o setor de energia e algumas commodities. Mas, de um modo geral, o cenário é muito difícil para renda variável.

Acredito que é mais provável um fundo ainda mais baixo do que o que já foi feito na bolsa americana.

Em relação ao Brasil, estou bem bearish (pessimista).

Pelo visto até agora, o novo governo eleito vai ser ainda mais populista. E parece algo semelhante ao que foi feito no governo Dilma, então já sabemos o resultado disso.

Muita impressão de dinheiro e inflação descontrolada faz com que empreendedores e empresários percam a confiança no futuro do país.

Consequentemente, investem menos, querem arriscar menos e isso gera o efeito cascata: menos emprego, consumidor com menos confiança também.

Enfim, é complicado.

Com a questão fiscal do Brasil em uma situação de dívida muito ruim, com todos esses gastos, PEC e dinheiro fora do teto, etc… Não tem como estar otimista com o Brasil.

Associado a isso, para os investidores individualmente, ainda tem a possibilidade de aumento de imposto e até alguma taxação sobre patrimônio.

Eu sempre fui a favor de dolarizar 100% patrimônio (sem ser reserva de emergência) porque naturalmente um país emergente é um país instável.

Aparentemente vamos passar por mais instabilidade de novo, assim como já tivemos no passado.

Então eu sou a favor, mais do que nunca, de dolarizar e proteger o seu patrimônio.

Para quem tem mais dinheiro, empresas offshore oferecem ainda mais proteção patrimonial.

Se tivermos uma política econômica como parece que vai ser, de muito gasto, ao longo do tempo gera inflação, juros altos e dólar alto.

E, aparentemente, esse é o caminho para o Brasil.

É claro que isso traz oportunidade, algumas oportunidades na renda fixa, principalmente atrelado à inflação, que deve permanecer alta não só nos planos globais, mas no Brasil, especificamente, com uma situação fiscal ruim de muito gasto.

Normalmente, se você não é trader e não tem estratégias específicas que podem ter um resultado potencial acima da média, a renda fixa bate a renda variável se for só investir na bolsa para longo prazo essa é a tendência.

Falando em investimento para longo prazo, renda fixa é melhor que a bolsa.

Apesar de que eu prefiro não ficar correndo o risco Brasil.

Enfim, a situação do Brasil infelizmente é péssima.

Agora sobre cripto, vou falar a minha perspectiva para o mercado.

Acredito que em cripto há sempre muitas oportunidades para se operar no mercado. É um mercado volátil e ineficiente, e por isso, vejo como o melhor mercado para operar.

Mas falando aqui do cenário como um todo, tivemos a quebra da FTX  que foi uma grande fraude.

Uma empresa que por falta de regulação e pouca fiscalização em cima da exchange que estava fazendo coisas que são ilegais sem que ninguém estivesse sabendo, usou o dinheiro dos clientes para se alavancar, fazer empréstimos, gastar com propagandas e imóveis, por exemplo.

Agora o Sam Bankman-Fried (fundador da FTX) está dando várias entrevistas para a mídia, inventando desculpas e tentando se vitimizar, mas claramente foi uma grande fraude.

E com isso, derreteu muita coisa em cripto. Muitos investidores perderam seu dinheiro. Muitos hedge funds tinham usado a FTX e também perderam dinheiro. O token FTT inflado de uma forma artificial.

Enfim, muita sacanagem no meio.

Muito se fala em pouca regulação e uma certa regulação vai ser ótimo para cripto, mas isso também acontece no mercado tradicional.

Os bancos já quebraram com muitos empréstimos e ninguém tinha conhecimento disso. Ninguém viu nada dentro de um ambiente regulado.

Ou seja, claro que o ambiente regulado traz mais segurança, mas ele não evita totalmente a possibilidade de alguém conseguir fraudar.

Em um ambiente menos regulado, a FTX teve ainda mais facilidade em fraudar as coisas, mas não é um problema exclusivo de cripto.

E com essa derrocada, surgem vários problemas. Por exemplo: falta de confiança.

Imagina o investidor que tinha uma conta na FTX e que não conseguiu sacar a tempo, esse cliente pode ficar traumatizado.

Vamos ver se agora com a justiça entrando em cena, eles devolvem parte do valor para os clientes, mas dificilmente vão reaver tudo.

Muita alavancagem vai liquidando tudo, gera um efeito cascata e vai tudo para baixo.

E agora tem mais alguns últimos dominós para cair como a Genesis que tem um trust com fundo que se chama GPTC e outros que são bem grandes. Aparentemente, eles têm reservas, mas tem questão de empréstimo e alavancagem na jogada onde mais alguns podem cair.

Com isso, bitcoins e outras criptomoedas podem ser liquidadas para cumprir essas obrigações e pode jogar o mercado em uma “pernada” ainda mais forte para baixo.

Então eu acredito que cripto está próximo do fundo.

Se ainda não fez o fundo, vai depender de sinais de que alguém grande vai cair ou não. Antecipando o mercado de ações.

Porque como eu comentei, no mundo real, com esse juros alto,s alguma coisa vai quebrar. Seja o mercado imobiliário, uma empresa, algum setor.

Em cripto já quebrou, então não tem mais muito para ir para baixo.

A não ser que as últimas peças do dominó que estão balançando venham a quebrar de vez.

Então cripto deve antecipar o fundo em relação à bolsa.

Infelizmente, o cavaleiro do apocalipse não tem muita notícia boa do ponto de vista econômico macro como um todo.

O mundo tá ruim, o Brasil tá mal e cripto está em queda.

Falando em oportunidades de investimento, acho que cripto está chegando bem mais próximo disso. Claro, criptos com bons fundamentos.

Empresas? A mesma coisa. Daqui a pouco devem chegar a preços mais interessantes em termos de valuation. O valuation do SP&500 não está mais caro, mas está no preço, digamos assim.

E tem potencial para ficar realmente barato.

Para o Brasil, pode ser que tenham algumas empresas muito específicas que podem ir bem.

Porém, em um cenário ruim para o Brasil, eu seria muito específico em oportunidades específicas e não investiria, por exemplo, uma parte do capital na bolsa brasileira pensando como um todo.

O Brasil provavelmente não tem um futuro muito brilhante com as condições atuais, a não ser que alguma coisa mude.

Seja mudando o governo, ou não de alguma forma, eventualmente, a política econômica vier a mudar. Mas com a política econômica atual, fica difícil.

Toda vez que se imprime dinheiro, se distribui dinheiro em excesso. Claro que programas sociais são importantes, mas quando você usa isso de uma forma muito populista, pensando em eleição, você coloca carga tributária demais e imprime dinheiro demais isso desestabiliza as contas públicas e nunca deu certo em lugar nenhum.

Essa é a realidade! E temos que fazer o que podemos fazer com o que temos.

Não adianta se iludir e agir baseado simplesmente em esperança sem embasamento.

Torço muito para que tudo dê certo no Brasil, mas aparentemente, nesse momento, a gente não tem motivos para ficar otimista com o Brasil. Lembrando que estou fazendo uma leitura macroeconômica, sem entrar em política, etc…

Então, vamos lá:

Começando por DXY. O dólar está caindo. O que é normal.

Com o juros mais altos nos EUA do que no resto do mundo desenvolvido. Euro, Libra e Iene japonês tudo caindo porque vale mais a pena ter dinheiro em dólar e render em dólar além da valorização em relação à sua moeda.

Por exemplo, o Euro recuperou um pouco agora, mas vem despencando em relação ao dólar por conta dos juros mais altos nos EUA.

Vale mais a pena você ter dólar e gerar renda fixa lá. E aí a situação despenca.

Os países desenvolvidos estão tendo o seu momento de país emergente, basicamente é isso.

USD/BRL

Está lateralizado atualmente, enquanto o dólar em relação às outras moedas está despencando.

E o que isso indica?

Que o Real está se desvalorizando e o dólar também se desvalorizando. Com os dois caindo, o preço está mais ou menos o mesmo.

Mas o real, na verdade, está perdendo valor em relação a maior parte das outras moedas.

Eu acredito que qualquer queda é a oportunidade de dolarização.

E, no caso, agora o dólar caiu bastante em relação às outras moedas e está estável em relação ao real. 

Não tem como prever futuro e, principalmente em moeda, é muito complicado, mas parece menos provável que a gente volte por enquanto a ter um dólar na faixa de 4 e pouco.

Dessa forma, qualquer coisa perto de 5, eu acho que é um bom preço para dolarização.

Os juros nos Estados Unidos seguem subindo.

E quando os juros sobem, o título cai.

TLT caiu muito e agora está começando a reagir.

VIX – o índice do medo.

O VIX dispara quando há uma crise e um medo generalizado na bolsa, como vemos o topo em março de 2020, mas apesar desse bear market, tem se mantido relativamente baixo.

Esse é mais um motivo para acreditar que não teve fundo, porque normalmente, no fundo, a gente vê uma disparada muito grande e um pânico completo que não vimos ainda.

SPXUSD

Está na faixa de 3.959 pontos e em plena tendência de baixa.

Esses rallys de alta são comuns em um bear market.

Me parece mais provável que seja só mais um desse rallys.

Provavelmente testamos o fundo ou faz um fundo mais baixo no futuro.

NASDAQ também a mesma coisa.

Chegou a cair 35%. É impossível que tenha sido o fundo? Não. Pode ser que tenha sido. Mas acredito que também tem espaço para para cair mais um pouco.

IBOV – Índice Bovespa está segurando aqui.

Vimos o Brasil voando de 2002 a 2007. E, desde esse topo, em abril de 2008, de lá para cá, quem investiu em abril 2008 no EWZ (Índice Bovespa em dólar) perdeu 70% do capital em dólar de 2008 para cá.

Ou seja, levou um ferro enorme no período de 14 anos.

Em 14 anos perder 70% do seu capital é terrível.

Na época do impeachment da Dilma, estava em um preço absolutamente baixo, teve uma boa pernada de alta e bastante oportunidade aqui para surfar.

Claro que o índice como um todo sempre pode ter uma outra ação que se destacou e foi bem durante todo esse período e trouxe um ganho real positivo em dólar.

Mas são poucas exceções.

Se você realmente acha que é muito bom e que consegue selecionar bem as ações que tendem a performar bem mesmo em um cenário adverso, tudo bem.

Mas de um modo geral, o índice Bovespa não está nada atrativo nesse período.

Eu acredito que, provavelmente, nos próximos anos, a renda fixa no Brasil vai continuar rendendo muito mais do que a renda variável.

Falando aqui em um contexto geral.

XLE – alguns setores em alta na bolsa americana. XLE – ETF do setor de energia.

Petróleo, enfim, vários setores indo bem.

IYR – sofrendo bastante também.

Uma espécie de fundo imobiliário que, com esses juros altos nos Estados Unidos, chegou a cair 31%.

Um momento não muito favorável que pode em breve trazer alguma oportunidade.

Indo para cripto.

BTC/USD

Bitcoin teve um topo em novembro de 2021, na faixa de 68, 69 mil e de lá para cá 75% de queda. O que é comum para o Bitcoin em um bear market.

Como eu falei, tem espaço para buscar 13 ou 10k. Menos de 10k me parece pouco provável.

Teria que apertar muito o cenário macro e a situação em cripto para isso.

Acredito que o Bitcoin tem resistido relativamente bem apesar de ter caído 75% e de um modo geral eu estou bullish (otimista) com Bitcoin.

Não significa que eu tenha Bitcoin para o longo prazo ou que eu esteja comprando.

Eu sou Trader e só faço operações normalmente automatizadas com robôs.

Então estou de olho para operar isso tudo. Tem bastante oportunidade para baixo em cripto.

Os robôs de venda foram muito bem esse ano e estou procurando opções no curto prazo.

ETH/USD

Ethereum vem segurando muito bem, mesmo com esse rolo todo da FTX, caiu mas não testou as mínimas.

BNB também se mostrando bem forte e longe de testar as mínimas.

Foi a moeda que mais absorveu quase todo trading do mercado futuros da FTX.

Mostrou recentemente, em auditoria, que tem reservas e que não tem essas reservas como colateral em empréstimos que coloquem a empresa numa situação de risco.

Então, aparentemente, a Binance vai sair fortificada dessa situação.

Já era a corretora número 1 e vai sair como a exchange número 1, disparada desse bear market.

De um modo geral, muitas altcoins sofreram muito mais nesse período.

E, basicamente, é isso que temos em um cenário ainda esperando uma testada da mínima ou uma nova mínima, usando o Bitcoin como referência para o mercado.

Acredito que deve demorar uma recuperação, mas o fundo está muito próximo, se é que ainda não aconteceu.

Para o mercado global, no meu cenário base, eu espero ainda mais uma pernada de baixa pelo menos ou no mínimo ficar uma grande lateralização testando mínima.

Enfim, será uma década mais para trader e menos para investidor de longo prazo.

E você deve se preparar para se sofisticar e operar mais no curto prazo onde nessas oscilações tem muita oportunidade.

Eu acredito que as operações de curto prazo para quem faz isso bem feito são muito mais lucrativas.

Pode ser que o investidor de longo prazo tenha que ter muita paciência principalmente em ativos de risco.

E com a renda fixa com juros mais altos pode ser uma coisa bem interessante nesse momento.

Eu, basicamente, estou focado em estratégias de curto prazo, tanto de bolsa americana quanto de cripto principalmente onde a oportunidade é maior e em alguns títulos de renda fixa para a parte mais conservadora do capital.

Esse foi o overview geral, espero que isso te ajude de alguma forma. A gente se vê no próximo Cenário Macro.

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MARCELLO VIEIRA

• Fundador do Investidor de Sucesso;
• Possui mais de 13.000 alunos;
• Mentor particular de grandes investidores;
• Investidor especialista em novas tecnologias e desenvolvimento de estratégias quantitativas;
• Transformou 32 mil em mais de 1 milhão de dólares em menos de 6 meses de forma pública e transparente;
• Participa de grupos e eventos com vários dos melhores gestores, investidores e traders ao redor do mundo.